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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Exposição solar e calor causam dano celular e flacidez, mesmo quando a pele não fica vermelha


Dermatologista 
explica novos conceitos em fotoproteção, como o de sunburn cells, células que sofrem danos independente da vermelhidão da pele, e a importância do filtro físico de proteção contra a luz InfraRed. Além de manchas, fotoexposição pode provocar flacidez e câncer

Esse ano um dos assuntos de maior relevância nos Congressos de Dermatologia pelo mundo foi a questão da fotoproteção. A preocupação se torna ainda mais evidente quando surgem notícias que dão conta de que o ano de 2016 será ainda mais quente. Mas nem sempre os malefícios são visíveis, já que o seu filtro solar pode proteger de raios UVA e UVB e não ser eficiente para a fotoproteção contra a luz InfraRed, aquela que sentimos através do calor e do mormaço. Segundo a Dra. Claudia Marçal, dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, mesmo com altas concentrações de FPS contra raios ultravioleta, esta proteção é ineficiente contra os raios InfraRed, que acometem num comprimento de onda entre 360 e 400 namômetros, o que é suficiente para atingir a derme mais profunda — a derme reticular — onde estão as fibras de ancoragem e sustentação da pele. "E isso provoca um dano muito importante, com menor elasticidade e uma piora no aspecto geral com a destruição do arquétipo da pele. Além de um maior potencial de cancerização."

Um FPS alto vai necessariamente me proteger?
A Dermatologista explica que não: "Hoje se descobriu que a proteção solar que leva em consideração apenas a questão do eritema (vermelhidão) desconsidera a dose suberitematosa, que é um dano criado antes mesmo da pele ficar vermelha, dando origem a chamada "sunburn cell" (ou células que sofreram alterações importantes pela radiação ultravioleta apresentando degeneração no seu DNA, promotoras mais tarde da possibilidade de cancerização)", destaca a médica. Ou seja, os raios UVB e InfraRed furam o bloqueio dos filtros químicos de alguns produtos de fotoproteção e causam dano celular que, em consequência, provoca flacidez. "Por exemplo, um fotoprotetor com FPS 15 protege a pele do eritema por até duas horas. Mas esse mito de levar em consideração só a vermelhidão caiu, por conta de novos estudos a respeito dessas células alteradas pela radiação. O melhor, nesse caso, é investir em produtos que contenham filtros físicos bloqueadores à base de dióxido de titânio, óxido de ferro e zinco", sugere. "Os filtros físicos são como uma parede de tijolos onde a luz bate e volta. Não tem absorvência, tem refletância: e com isso há um impedimento de todos aqueles danos cumulativos dos filtros químicos, que são altamente instáveis; então na sudorese, na água do mar, a molécula fica quimicamente instável e deixa de proteger", explica.

A cor/base protege!
A cor hoje é o que mais protege contra a luz visível, segundo a dermatologista. "Filtros de alta cobertura, com base e cor fazem parte dos últimos lançamentos em fotoproteção. A cor serve como uma barreira e todas as minhas pacientes quando terminam de fazer um procedimento, peço para usar filtro solar com cor porque isso vai formar uma barreira física à luz visível".

A luz visível
Mesmo não sendo um conceito novo, é necessário pontuar, de acordo com a especialista, que a luz visível continua sendo um perigo. "Presente na nossa rotina diária, ela é capaz de promover a médio e longo prazos um quadro de eritema mesmo que subcutâneo, mas já suficiente para gerar a presença das sunburn cells", explica. A médica ilustra que a luz visível e o InfraRed atuam no estímulo da melanogênese, resultando em manchas. "As pessoas que têm tendência ao melasma não podem só pensar em ter um fotoprotetor com UVA e UVB. Tem que ter algum tipo de ativo que combata a ação danosa do Infrared. São ativos tirados de extrato vegetais que têm uma ação anti-inflamatória e revertem ou invertem a ação danosa do infraRed da pele", acrescenta.

Os malefícios do fotoenvelhecimento
Segundo a dermatologista, quando falamos em envelhecimento fotoadquirido, estamos falando da formação precoce de rugas, manchas, mudança na textura da pele, angiogenese (formação de novos vasos), atrofia com uma epiderme pergaminácea e flacidez, que tem relação grande com o UVA e o InfraRed.

Fotoproteção com antioxidantes
Os filtros solares modernos devem ter elementos multifuncionais. "O protetor solar deve ir além dos ativos de proteção: ele deve ser um multibenefícios com elementos de ação antioxidante para imediatamente reparar o processo inflamatório formado", destaca. "Principalmente quando falamos de ambientes onde há muita poluição ambiental, há a necessidade de complementar a fotoproteção com alguns antioxidantes importantes como as Vitaminas E, C, A, B3, o Resveratrol, o ácido elágico da Romã, extrato de Blueberry e extrato de Edelweiss."

Fotoproteção oral
Segundo a Dra. Claudia Marçal, mais recentemente tem se falado muito na questão dos pré e probióticos associados à formulação local e via oral com conceito de defesa e imunologia da pele. "Não dá para colocar todas as fichas com relação à questão da fotoproteção em produtos de uso tópico. A fotoproteção oral é fundamental", enfatiza. "Os filtros imunoprotetores via oral vieram para ficar com propriedades de melhora da resistência cutânea e imunológica. Eles funcionam como verdadeiros guardiões quando associados aos protetores locais, para preservar a estrutura e evitar a desnaturação do DNA celular por proteger as células imunológicas da pele e reverter em parte os danos biológicos e inflamatórios causados pela exposição exagerada ao sol. Os mais importantes são o Polipodium Leucotomus, Picnogenol, Astaxantina, Luteina, Extrato de White e Green Tea, Resveratrol e ácido elágico da Romã, sempre associando ao uso de silício orgânico Exsynutriment para melhora do aspecto da flacidez."

Dra. Claudia Marçal: Dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School.


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