Quentinha! Edição 73
Nas bancas!
Ainda não conferiu a edição 73 da revista MI? O que está esperando para ir atrás da sua? Além dos destaques que você vê na capa, ainda tem matéria sobre:
Escoliose
Grávidas que treinam
Treinamento Funcional
Treino para você ter músculos definidos e fibrados
E muito mais
Não perca!
A seguir, você confere o complemento de algumas matérias.
Antes e Agora pg 11
Arquivo Pessoal |
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Arquivo Pessoal |
A advogada Cláudia Vilaça nos contou um pouco de sua história na coluna Antes e Agora. Aqui você tem detalhes do treinamento, dieta e muito mais.
O desejo em
competir foi surgindo aos poucos em mim. Tenho 1,65 m de altura e 50 anos de
idade. Sempre frequentei academia, mas nunca com objetivo em ser atleta de
musculação. Até que fui começando a aprender, vendo outros atletas e me
interessei.
Até dois
meses atrás, antes de iniciar a preparação para a competição, eu pesava entre
56 e 57 kg, era bem seca, percentual de gordura em torno de 11 – 12%, com 88 a
89 cm de quadril (medidos na parte mais larga).
Nesses
dois últimos meses, o treinamento e a dieta tem por foco o aumento de massa
muscular; estou com 62 kg e ganhei muitos centímetros de coxas e glúteos, sem
alterações significativas na parte superior do corpo, conforme planejado pelo
meu treinador, Marcelo Braz Rosa, e pelo nutricionista que me acompanha, Rodolfo
Peres.
Atualmente, treino 5 vezes por semana, dois dias para membros superiores, dois dias para membros inferiores, e um dia em que faço um treino de endurance e abdominal, combinados.
Divisão dos treinos:
Segunda-feira: Ombros, tríceps, peito, abdominal
Terça-feira: Pernas, panturrilhas, glúteos
Quarta-feira: Endurance e abdominal combinados
Quinta-feira: Costas, bíceps, abdominal
Sexta-feira: Pernas, panturrilhas, glúteos
Atualmente, treino 5 vezes por semana, dois dias para membros superiores, dois dias para membros inferiores, e um dia em que faço um treino de endurance e abdominal, combinados.
Divisão dos treinos:
Segunda-feira: Ombros, tríceps, peito, abdominal
Terça-feira: Pernas, panturrilhas, glúteos
Quarta-feira: Endurance e abdominal combinados
Quinta-feira: Costas, bíceps, abdominal
Sexta-feira: Pernas, panturrilhas, glúteos
Estou me preparando para o meu primeiro campeonato, que será a Copa do Litoral, no Guarujá, em 24 de novembro. Ao todo foram pouco mais de 3 meses de preparação, sendo 2 meses de treino de força e hipertrofia, com dieta mais calórica, e uma fase de cutting nas semanas que antecedem a competição, quando mudam o treinamento e a dieta.
Sigo uma dieta à base de proteínas e gorduras, sem carboidratos. Faço 6 refeições por dia e consumo apenas BCAA como suplemento.
Sinto-me feliz com a minha evolução. Estou melhor a cada dia, mais forte, mais determinada, cheia de energia e motivação. Conseguindo atingir os meus objetivos - desde o inicial, que era desenvolver as pernas, até vencer todas as etapas da preparação de uma atleta. É como se eu tivesse 20 anos. Meu corpo foi se transformando rapidamente e adquirindo os contornos cuidadosamente imaginados por mim, pelo meu treinador e por meu nutricionista. Além disso, há toda a excitação dos preparativos para a estreia: o ensaio das poses e técnicas de apresentação no palco; a escolha do biquíni, dos sapatos, o bronzeamento, os cuidados com a pele e o cabelo. Trata-se de vencer a cada dia, a cada série bem executada no leg press ou na extensora, a cada dificuldade superada (e elas só fazem aumentar, meu treinador é muito exigente, ele acredita que eu posso sempre fazer mais); trata-se de sucesso absoluto no desafio que me impus. E a vitória é agora, está acontecendo, meses antes do primeiro campeonato.
Graças a essa preparação, sinto-me renovada, revigorada, poderosa. Sinto que sou capaz de realizar qualquer coisa que quiser, contando sempre com a extraordinária orientação do meu treinador.
Vitoriosa já, dia após dia, espero fazer uma bela apresentação na minha primeira competição, onde a categoria Body Fitness será unificada, sem divisão por altura ou idade. No próximo campeonato, em 2013, provavelmente poderei competir pela categoria Body Fitness Máster, para atletas com mais de 35 anos.
Treinamento Vip pg 36
A capa da edição 73 foi ilustrada por Renata Muggiati. Em Treinamento Vip ela contou um pouco sobre sua história e sobre a conquista do título de campeã Brasileira Body Fitness 2012. Veja aqui como é a rotina de treinamento dela.
O treino
Plano semanal
Dia da semana
|
Segunda
|
Terça
|
Quarta
|
Quinta
|
Sexta
|
Sábado
|
Domingo
|
TARDE
|
MMA
|
MMB
|
off
|
MMC
|
MMD
|
MMA
|
.......
|
NOITE
|
ketllebel
|
corrida
|
ketllebel
|
corrida
|
Legenda:
SB: Submáximo
F: Falha
FT: Falha Total
MMA: PERNA E
PANTURRILHA
Extensão de perna SB, SB, F, FT
Leg press SB, F, FT
Agachamento Hack com pés unidos F, FT
Agachamento (máquina ou barra livre) SB, F, FT
Extensão de pé – extensão de pé no taco I-extensão de pé no taco
II – extensão de pé inclinada na seqüência SB, F, FT
Extensão de pé sentada F, FT
MMB: DORSAL + BÍCEPS + ABDOMINAL
Pulley Alto SB, SB, F, FT
Remada sentada SB, F, FT
Remada supinada com a barra F, FT
Crucifixo invertido (dumbells
ou máquina) SB, SB, F
Remada na máquina com empunhadura pronada e cotovelos altos F, FT
Rosca direta OU
Rosca concentrada AMBAS....
SB, SB, F, FT
Escolho um abdominal de
minha preferência e realizo até a fadiga , em torno de 5 series.
MMC: POSTERIOR DE
PERNA, GLÚTEO E PANTURRILHA
Flexão de joelho ajoelhada
no banco e apoio nos pés alternada com Stiff SB, SB, F
Avanço no cursor em caixote alto SB, F, FT
Extensão de perna no cabo
SB, F, F
Flexão de perna sentada ou em pé F, FT
Elevação de quadril deitada combinada bilateral, unilateral, isometria e cadeira abdutora SB, F, F
Extensão de pé (com maior carga em relação ao treino MMA)
Extensão de pé sentada (com maior carga em relação ao treino MMA)
MMD: PEITO, OMBRO e
TRÍCEPS
Supino inclinado SB, SB, F
Cruzamento de cabos SB, SB, F
Elevação lateral com dumbell SB, SB, F, FT
Elevação unilateral no cabo com o corpo em inclinação SB. FT
Desenvolvimento na máquina SB, F, FT
Rosca testa SB, F
Extensão de tríceps no cabo SB, F, FT
"Meu treino é baseado na metodologia Intesidade Total, aonde não utilizo números pré-estipulados e
sim séries submáximas, a falha e falha total da
musculatura. No
trabalho submáximo, para-se a execução das repetições antes da falha da
musculatura ou logo antes desta. Ou seja antes de dificuldade. A falha da musculatura ocorre na repetição
concêntrica, logo antes da próxima repetição, que impossibilita a reprodução de
movimento induzido pelo grupo muscular alvo de forma estrita. A última
repetição da série deve ser realizada sem grande oscilação percutida por
trabalho roubado, excessiva utilização de músculos sinergistas,
estabilizatórios e ajuda externa, mesmo que essa série tenha somente uma
repetição! Ou seja, você progride até a dificuldade".
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THE BUILDERS pg 72
A edição impressa da MI, trouxe na seção The Builders, dois grandes atletas: Marcelo de
Salles e Isaac Balbi. Aqui, você confere o
treino e a dieta deles. Pura inspiração!
Treino:
A) PEITO E TRÍCEPS (segunda - feira):
Crucifixo
reto alternado com Supino reto ambos com halteres (3 X 10 a 12)
Voador peitoral (3 X15) alternado
com supino reto c/ halteres (3 X Máx.)
Supino inclinado com halteres (4X12 a 15)
Crossover (3X15) alternando com Flexão de
braços solo (3 X Máx.)
B) COSTAS E BÍCEPS (terça - feira):
Puxada
por trás alternando com Puxada pela frente no pulley (3 X 10 a 12)
Remada
sentado(pegada fechada) alternado com Crucifixo inverso com halteres (3 X 15)
Puxada
supinada alternando com Pullover polia alta c/ corda (3 X 15)
Bíceps
21 (3 séries)
Bíceps
apoiado unilateral com halteres (3 X 12 a 15)
Bíceps
martelo pegada neutra com halteres (3 X 10 a 12) alternado com Bíceps inverso
com barra W(3 X 20)
C) OMBROS E TRAPÉZIO (quarta - feira):
Desenvolvimento
por trás no Smith (3 X 10 a 12) alternado com Abdução de ombros 90o
com halteres (3 X 12 a 15)
Abdução
de ombros 180o com halteres (3 X 10 a 12) alternando com abdução de
ombros 90o com halteres (3 X 12 a 15)
Flexão
de ombros alternada com pegada pronada (3 X 10 a 12) alternando com Flexão de
ombro com anilha (3 X 12 a 15)
Remada
alta polia baixa (3 X 12 a 15) alternado com encolhimento sentado com
halteres (3 X 15 a 20)
D) PERNAS (quinta - feira):
Agachamento
unilateral no Smith (3 X 10 a 12) alternado com agachamento pés abduzidos Smith
(3 X 12 a 15)
Cadeira
extensora (3 X 12 a 15 com isometria de 3”) alternando com hack machine (3 X 12 a 15)
Leg
Press 45o com pés abduzidos (10 repetições) + Leg Press com os pés
paralelos (12 repetições) + Agachamento livre com calço no calcanhar usando o
peso corporal (20 repetições) – 3 vezes esse circuito
Mesa
flexora (4 X 12 a 15 com isometria de 2’’ a cada repetição) alternando com
Stiff com halteres (peso morto) 4 X 15
Panturrilha
na máquina em pé (4 X 20 a 30)
ABDOMINAIS: (dias alternados)
Infra
com pernas estendidas no hack ou no aparelho abd (3 X 20)
Infra
no banco inclinado com joelhos flexionados (3 X 20)
Lateral
oblíquo no cross / polia baixa (3 X 20)
Supra
no solo (3 X 30)
AERÓBIO:
Trabalho
aeróbio todos os dias variando corrida outdoor e indoor, Transport e Bike
outdoor e indoor.
Obs.:
Sexta feira eu recomeço com a série A, sábado a B e domingo é dia de descanso,
mas na segunda eu começo com a série C e assim vai.
Dieta
Ao
acordar tomo sempre 1 Targifor C, 5 g de glutamina, e 2 caps de
polivitamínico
7:00
– Aveia com água morna e adoçante
10:00 – 1 barrinha de proteína lowcarb
13:00
– Almoço: Salada
verde (alface, tomate, cebola, com um filete de azeite extra virgem), legumes
(couve-flor, brócolis, abóbora e etc.), frango
ou peixe grelhado (temperado apenas com ervas naturais),
Macarrão
cozido sem molho e sem sal ou 2 batatas cozidas também sem sal.
Mate
diet ou ice tea diet
15:00
– (antes do treino) – uma barrinha de proteína lowcarb
17:00
– (após o treino) – 1 dose de whey protein, 1 dose de albumina e 5 g de
glutamina
Jantar
– O mesmo do almoço
Ceia
– gelatina diet a vontade
Treino
Segunda-feira (Peitoral)
Supino
45
Crucifixo
45
Supino
Declinado
Cross
Over
Supino
Reto
Abdominal
Terça- feira (Quadríceps e
Panturrilhas)
Agachamento
Livre
Cadeira
Extensora
Agachamento
Unilateral Smith
Leg
Press Horizontal
Flexão
Plantar em pé
Lombar
Quarta-feira (Costas)
Puxada
Aberta Pela Frente
Remada
Unilateral
Puxada
pegada Supinada
Crucifixo
Inverso
Pull
Over com halter
Abdominal
Quinta-feira (Ombros e trapézio)
Desenvolvimento
pela frente
Elevação
Frontal
Desenvolvimento
por trás
Abdução
de Ombros
Remada
em pé com Barra
Encolhimento
Lombar
Sexta-feira (Bíceps e Tríceps)
Tríceps
no pulley
Rosca
Tríceps Direta
TrícepsInversa
no pulley
Paralela
Bíceps
Direta
Bíceps
Alternada Hammer
Bíceps
Apoiada
Bíceps
Inversa
Abdominal
Sábado (Femural e panturrilha)
Stiff
Mesa
Flexora
Leg
Declinado - pés altos
Flexora
em pé
Flexão
Plantar em pé
Método de Treino
- 5 séries de cada exercício com 30 segundos de descanso entre as séries e 1
minuto entre exercícios.
1
série de 15 a 20 repetições com carga limítrofe
As
outras 4 séries executo o número máximo de repetições (até a exaustão do
músculo) sem que ultrapasse 15 x (sem alteração de carga)
Dieta
Desjejum
Café
em quantidade suficiente
1
copo de leite desnatado - 300 ml
2
fatias de pão de forma
2
fatias finas de blanquet
2
fatias médias de ricota
Colação
Mamão,
banana e aveia
Almoço
Vegetal
A (Alface, couve-flor, tomate, palmito,espinafre e outros) a vontade
Vegetal B (Beterraba,
cenoura, ervilha-vagem, pimentão e outros)
3 colheres
de Arroz/Massas/Vegetal
C (batata-inglesa, batata-doce, batata baroa, aipim, inhame)
2
pedaços de carne branca
1
copo (200 ml) de suco de fruta
Lanche 1
1
copo de Mate
2
fatias de pão de forma light
2
fatias de frios de carne branca
1
colher de sopa de queijo cottage
Antes e depois do treino
2
medidas de Whey Protein
1
colher de sopa de leite desnatado
Água
suficiente
Jantar
Vegetal A a vontade
Vegetal B - 3 a 4 colheres de sopa
Vegetal C - 2 colheres de arroz
2
pedaços de carne branca
1
copo (200 ml) de suco de fruta
Ceia
3
bananas com aveia
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Os exercícios que não deveriam faltar no seu treino pg 46
Referência
bibliográfica
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Escamilla
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technique variations on knee biomechanics during the squat and leg press. Med Sci Sports Exerc. 33:9, 1552-1566, 2001.
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1999.
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Na Prática - pg 62
STIFF -
Descrição
Técnica do Movimento
Winston
Marcelo Lima*
Introdução
Muito
provavelmente o Stiff é um dos exercícios que mais gera polêmica no que
se diz respeito a sua execução. Como hoje não se pode afirmar quando, por que,
como ou quem realizou esse e outros movimentos contra uma dada resistência pela
primeira vez e dessa forma, percebeu ou o instituiu como forma de exercício,
não há também um documento original que descreva sua forma estrita de execução,
como um manual de instruções.
Sabe-se
apenas que ao longo dos anos, este tem sido um exercício muito utilizado nos
diversos programas de condicionamento e sua forma de execução vem se alterando
de acordo com a percepção prática, aliada ao conhecimento mais aprofundado
sobre o funcionamento do aparelho locomotor humano.
Antes de
tudo, devo salientar que a abordagem do tipo certo e errado, no
que se refere à execução de qualquer exercício, precisa ser abolida, pois o
mesmo não existe. Por pior que pareça a realização de um exercício proposto
para determinado grupamento, esteja ciente de que estes músculos estão sendo
recrutados e ativados. A não ser que você queira fortalecer os braços
realizando um exercício com os membros inferiores, a abordagem anterior pode
ser considerada válida.
Sendo
assim, o mais adequado é utilizar todo acervo existente na área de conhecimento
da biomecânica, para que assim os exercícios sejam analisados como mais
ou menos eficientes e também como mais ou menos seguros.
Logo, por
tratar-se de um exercício que envolva, dentre outros, músculos e articulações
da coluna vertebral, não é por menos a polêmica a cerca de como este exercício
deve ser realizado, já que 80% da população mundial sofrem ou sofrerão de dor
nas costas, em alguma época, provavelmente na região lombar, que é três vezes
mais frequente que a parte superior do dorso.
Músculos
Envolvidos
O Stiff é
um exercício utilizado principalmente para o fortalecimento dos músculos
posteriores da coxa e glúteos apesar da participação significativa da
musculatura paravertebral.
Assim,
para melhor entendimento da atuação dos músculos envolvidos, podemos dividir em
dois grupos distintos visto que o padrão de ativação dos mesmos é realizado de
forma diferente:
O Grupo
Extensor do Quadril (glúteo máximo, semitendinoso, semimembranoso e porção
longa do bíceps femoral) são os músculos que atuam de forma dinâmica, ou seja,
sua contração permite a realização do movimento propriamente dito enquanto que
o Grupo Eretor da Coluna: Iliocostal (Iliocostal lombar, Iliocostal
torácico, Iliocostal cervical), Longuíssimo (longuíssimo do tórax, longuíssimo
do pescoço, longuíssimo da cabeça) e Espinhal (espinhal do tórax, espinhal do
pescoço, espinhal da cabeça) são os músculos que atuam de forma isométrica,
quer dizer, sua “contração” não produz movimento, mas sim estabiliza a coluna
vertebral durante o movimento realizado pelos músculos extensores do quadril.
Posicionamento
e Movimentação
O
exercício pode ser realizado utilizando tradicionalmente a barra livre ou barra
guiada no smith machine e também com halteres.
Sugere-se montar a barra sobre um suporte,
preferencialmente com altura superior à dos joelhos. Medir a barra da
extremidade para o centro, e realizar o agarre com os antebraços em pronação
(palma das mãos voltadas para baixo) e os cotovelos estendidos.
Manter a
barra sempre rente aos membros inferiores durante todas as fases do movimento,
joelhos levemente flexionados e direcionar o tronco para baixo e para cima
contra uma dada resistência durante um número proposto de repetições.
Importante
que todas as vértebras estejam em extensão, das cervicais às lombares e a pelve
em discreta anteversão (ou seja, não curvar a coluna para frente) e assim,
impedir que os extensores do tronco atuem de forma dinâmica durante o arco do
movimento.
Fase
Descendente
A fase
descendente do movimento é realizada pela ação muscular excêntrica (quando os
músculos estão se alongando) do Grupo extensor do quadril (ver foto a seguir)
Expirar
(soltar o ar) e descer lentamente, mantendo os músculos em tensão por um
período maior de tempo que o realizado na fase concêntrica.
Deve-se
flexionar o quadril até o momento anterior à tendência de realizar a flexão do
tronco com consequente retroversão da pelve.
Fase
Ascendente
No momento
anterior à tendência de realizar a flexão do tronco, deve-se iniciar a ação
muscular concêntrica (contração muscular propriamente dita) do Grupo extensor
do quadril de forma vigorosa, porém controlada (veja foto a seguir).
Preferencialmente,
realizar uma inspiração (puxar o ar) neste momento.
A
velocidade de execução deve ser superior à utilizada na fase excêntrica,
diminuindo-a ao final do arco do movimento.
Deve-se
estender o quadril até o momento anterior à verticalização total do corpo.
Realizar uma breve ação isométrica nesse ponto e então reiniciar a fase
excêntrica.

Eficiência
e Segurança
Mesmo
sendo o Stiff um exercício muito popular e de grande aceitação nos meios
práticos, venho ressaltar que o mesmo é uma tarefa de grande complexidade
motora, requere fortalecimento prévio da musculatura paravertebral e ausência
de patologias discais por parte do praticante. Resumindo, este não é um
exercício que pode ser prescrito e executado por todos e de forma leviana.
O
posicionamento inicial é base fundamental para garantir o sucesso na execução
do exercício. Retirar a barra de um suporte com altura superior à dos joelhos
torna o posicionamento inicial do exercício mais seguro. Caso retire-a do chão,
é necessário o conhecimento da execução técnica do exercício Levantamento
Terra, pois o arco do movimento será maior e dessa forma, maior exigência da
musculatura paravertebral.
Durante
todas as fases do movimento é importante manter a barra sempre rente aos
membros inferiores, minimizando dessa forma a tensão imposta à coluna lombar em
função da diminuição do braço de alavanca resistente(4).
Os joelhos
semi-flexionados também possibilitam maior amplitude de movimento e dessa
forma, diminuem a insuficiência mecânica passiva dos isquio-tíbio-fibulares(1),
além de garantir maior proteção aos discos intervertebrais(4).
Manter o
tronco estendido e a pelve em anteversão possibilita maior proteção aos discos
intervertebrais. Os músculos paravertebrais devem atuar como estabilizadores
estáticos tanto na fase concêntrica (ascendente) quanto na fase excêntrica
(descendente) do movimento. Dessa forma, impede-se que ocorra flexão da coluna
lombar com consequente retroversão da pelve durante a fase excêntrica.
Realizar
flexão do tronco e retroversão da pelve utilizando resistência adicional, cujo
vetor desta esteja atuando no mesmo sentido e direção, promove compressão por
flexão nas vértebras lombares em sua concavidade anterior e conseqüentemente
produz força de herniação nos discos intervertebrais. O aumento da pressão dos
discos intervertebrais se dá de maneira assimétrica onde a porção anterior do
disco se apresenta sob pressão, enquanto que a porção posterior se apresenta
sobtensão, favorecendo a patologias discais(2).
De maneira
voluntária, devem-se manter os músculos flexores e extensores do joelho, assim
como os paravertebrais em ação muscular isométrica, no intuito de aumentar a
solicitação neural dos músculos extensores do quadril para que estes atuem
predominantemente como motores dinâmicos do movimento, de forma que a carga de
trabalho mecânico não seja dividida com os músculos estabilizadores.
A fase
descendente do movimento é realizada pela ação muscular excêntrica dos músculos
extensores do quadril(1).
Preferencialmente,
deve-se expirar neste momento, pois este tipo de respiração, classificada como
anatômica é associada à flexão do tronco(5).
Executar
voluntariamente a fase excêntrica de forma mais lenta, impede que o movimento
seja produto apenas da força gravitacional. Dessa maneira, garante-se maior
segurança musculoesquelética, além de proporcionar um ótimo estímulo
hipertrófico(3).
A amplitude
máxima a ser atingida durante a fase excêntrica deste exercício depende
exclusivamente da flexibilidade dos músculos paravertebrais,
isquio-tíbio-fibulares e dos flexores plantares.
No
entanto, independentemente dessas variáveis, nossa proposta é que o quadril
seja flexionado até o momento anterior à tendência de realizar a flexão do
tronco com consequente retroversão da pelve.
No momento
anterior à tendência de realizar a flexão do tronco, deve-se iniciar a ação
muscular concêntrica dos músculos extensores do quadril, inspirando de forma
vigorosa, porém controlada(5).
Sugere-se
estender o quadril até o momento anterior à verticalização total do tronco e
diminuir a velocidade angular ao final da fase concêntrica.
Impedir a
hiperextensão do quadril pode evitar a ocorrência de lesões ligamentares,
principalmente quando realizada de forma balística. Além da segurança
musculoesquelética, essa estratégia também pode tornar o exercício mais
eficiente. Ao estender completamente o quadril, o ponto de aplicação da
resistência alinha-se com o ponto fixo. Dessa forma o torque fica nulo porque o
braço de força fica zero, uma vez que a linha de ação imaginária que passa
sobre o vetor força, passa pelo eixo de rotação(4). Conseqüentemente diminui-se
a tensão desenvolvida pelos músculos envolvidos. Por essa razão, realizar uma
breve ação isométrica evitando a extensão total do quadril antes de reiniciar a
fase excêntrica, permite que a tensão muscular seja mantida por mais tempo.
Normalmente
ao final da fase excêntrica do exercício, indivíduos dotados de boa
flexibilidade são impedidos de executarem sua amplitude total em função do
contato das anilhas com o solo.
Nesta
situação, a inclusão de “steps” ou outros tipos de plataformas tem sido muito
utilizado no intuito de aumentar a amplitude do movimento (foto a seguir).
Porém, o que se percebe é que tais implementos, na maioria das vezes, são não
mais que meros objetos decorativos. Muitas vezes, o praticante não dispõe de
flexibilidade suficiente nos músculos extensores do quadril para justificar a
utilização de plataformas.

Contudo,
essa variável torna-se preocupante quando o praticante aumenta a amplitude do
movimento em função da flexão do tronco com consequente retroversão da pelve.
Como dito anteriormente, a retroversão da pelve e a flexão do tronco diminui a
capacidade da coluna em suportar grandes cargas, motivo pelo qual esta postura
deve ser evitada(1).
Portanto,
alternativas visando aumentar a intensidade e grau de dificuldade do exercício
de forma segura e eficiente devem ser adotadas. Dessa forma, como uma opção interessante,
sugere-se a utilização de uma pequena plataforma sob o ante-pé, mantendo os
tornozelos em dorsi-flexão.
Ao
realizar o exercício dessa forma, os músculos flexores plantares e
consequentemente os isquio-tíbio-fibulares serão pré-estirados, potencializando
a contração dos músculos extensores do quadril.
Referências Bibliográficas
1 -
Campos, M.A. Biomecânica da musculação. Rio de Janeiro. Sprint. 2000
2 - Couto,
H. A. Ergonomia Aplicada ao Trabalho – Manual Técnico da Máquina Humana.
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3 - Leger, A.B.; Milner, T.E. Motor impairtment in
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4 - Okuno,
E., Fratin, L. Desvendando a física do corpo humano: biomecânica. Barueri,
SP. Manole. 2003
5 -
Zatsiorsky, V.M. Ciência e Pratica do Treinamento de Força. Phorte
Editora, 1999.
Winston
Marcelo Lima*
Atleta
IFBB Bicampeão Paulista sênior até 100kg
Pós-graduando
em Anatomia Macroscópica e por Imagem. Universidade São Camilo.
Pós-graduado
em Biomecânica, Avaliação Física e Prescrição de Atividade. Universidade – FMU.
Pós-Graduado
em Nutrição Esportiva. Universidade Gama Filho - UGF.
Pós-Graduado
em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido na saúde, doença e
envelhecimento - CECAFI/HC - FMUSP.
Graduado
em Educação Física. Universidade de Santo Amaro - UNISA.
Membro
integrante do GEPAN/EEFEUSP - Grupo de Estudos em Adaptações Neuromusculares -
Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.
Sou a Claudia Vilaça, da seção ANTES E AGORA da edição 73.
ResponderExcluirConvido os leitores da MUSCLE IN FORM - MI a visitarem o meu blog:
CLAUDIA V.50 - CLAUDIA VILAÇA
http://claudiafitblog.blogspot.com.br/
No blog, a conversa é sobre treinos - fases de hipertrofia e de definição -, minha dieta sem carboidratos, preparação para competir, projetos e realizações.
Também falamos da vida, da família, de viagens e o que mais surgir.
Venha conhecer o blog e me fazer companhia!