Este pão é mesmo integral?

              Um novo teste da Proteste revelou que por falta de legislação o consumidor leva para casa o pão integral sem saber realmente o que está consumindo.
              Muitas pessoas preferem consumir produtos integrais ao invés dos tradicionais, em busca de uma alimentação saudável com mais vitaminas, minerais e fibras. Mas a questão é: será que estes produtos são realmente integrais como informam a embalagem? É possível responder esta pergunta?
             A PROTESTE realizou, no final de outubro,  um teste com pães integrais para alertar os consumidores e as autoridades que não existe legislação no país que defina os critérios para um pão (ou qualquer outro alimento a base de cereais) ser considerado integral ou não. No laboratório foram avaliadas a quantidade de fibra alimentar e a rotulagem de sete marcas de pães integrais para ilustrar esta situação e não para comparar ou eleger um produto.

            Veja abaixo os resultados do teste das marcas que foram testadas e a sua denominação na embalagem:

Marca
Denominação/Rótulo
Fibra g/50g
laboratório
Fibra g/50g
rótulo
Bread life
Pão light, integral
4,7
2,1
Firenze
Pão light com farinha de trigo integral
4,9
2,7
Grãolev
Pão de forma integral light
3,9
2,9
Milani
Pão integral light
3,6
3,2
Nutrella
  7 Grãos - Pão integral com trigo, girassol,
linhaça, aveia, centeio, soja, tricale  
6,2
3,8
Plus Vita
Pão integral com grãos de trigo
6,8
4,3
 Wickbold   
Os clássicos - Pão Integral
4,7
3,2

              Como não existem no país parâmetros e metodologia para classificar um pão como sendo integral, verificou-se no teste a quantidade de fibras e as informações dos rótulos. O resultado apontou que todos os produtos possuem um alto teor de fibras, característica essencial deste tipo de produto.

              O que chamou a atenção foi à discrepância dos valores informados no rótulo e os encontrados após a análise laboratorial.  A legislação permite uma diferença de até 20% para mais ou para menos na tabela de informações nutricionais e somente o pão Milani respeita esta margem de 20%.

             Segundo as normas a “lista de ingredientes” deve ser descrita em ordem decrescente de quantidade. Com esta informação verificou-se que os pães testados das marcas Bread life, Grãolev, Milani e Wickbold tem em sua receita maior quantidade de farinha de trigo tradicional, em comparação à integral. O que é estranho, quando se trata de um produto que se denomina Integral.

             O teste revelou que por falta de legislação, o consumidor compra esses produtos sem saber o que está consumindo.
             A PROTESTE pede urgência à ANVISA para que haja aprimoramento da norma vigente (RDC nº 263/2005), de modo a definir padrões de identidade, qualidade e teor mínimo de grãos integrais nos produtos à base de cereais integrais.

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