Pacientes reumáticos podem tomar vacinas contra a gripe?


A literatura médica revela que não parece haver qualquer associação entre a vacinação de rotina em adultos e o risco aumentado de desenvolver artrite reumatóide

Em plena campanha da vacinação contra gripe, deflagrada pelo Ministério da Saúde, no dia 25 de abril, uma das perguntas mais ouvidas pelo reumatologista Sérgio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), é a se pacientes reumáticos – em sua maioria idosos – também devem ser vacinados.
Segundo Lanzotti, “todos os anos, temos que orientar nossos pacientes neste sentido, pois existem muitas estórias, fatos e versões sobre a vacinação de pacientes reumáticos. E o que sempre dizemos é que a vacina contra gripe, como todas as outras apropriadas à terceira idade, devem ser tomadas, sempre. O paciente não piora, nem melhora e muito menos desenvolve uma artrite reumatóide porque tomou uma vacina”, explica  o reumatologista.

Sérgio Lanzotti fundamenta sua afirmação com base em diversos estudos científicos já realizados sobre o tema. A literatura médica revela que não parece haver qualquer associação entre a vacinação de rotina em adultos e o risco aumentado de desenvolver artrite reumatóide. A revista Annals of the Rheumatic Diseases destacou um interessante trabalho sobre o tema.
Pesquisadores suecos, liderados por Camilla Bengtsson, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, analisaram o histórico de vacinação de 2.000 pessoas, com idades entre 18 e 70 anos. Neste grupo, estavam pessoas com artrite reumatóide e pessoas sem a doença.  Nos históricos de vacinação analisados pelos cientistas estavam vacinas contra a gripe, o tétano, a difteria, a encefalite transmitida por carrapatos, a poliomielite, o pneumococo e a hepatite A, B e C.
Os resultados mostraram que o tipo ou o número de vacinas que uma pessoa toma não tem impacto sobre a probabilidade de desenvolver artrite reumatóide. Segundo Bengtsson, “este resultado não exclui a possibilidade de que as vacinas dadas, mais cedo na vida, ou as vacinas que são raras possam provocar o desenvolvimento da artrite reumatóide. Mas, de uma maneira geral, nossos estudos nos fazem considerar improvável que as vacinas sejam consideradas fatores de risco para o aparecimento da artrite reumatóide”.

Para  o diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares, “as conclusões do estudo sueco nos auxiliam no dia-a-dia, pois combatem uma crença muito comum e equivocada: a de que, a longo prazo, as vacinas podem afetar o sistema imunológico e ‘atacar o organismo’, provocando condições inflamatórias, como a artrite reumatóide”, diz.

O Colégio Americano de Reumatologia recomenda a vacinação contra gripe, inclusive para três grupos de pacientes muito suscetíveis a complicações de saúde:
  1. Pacientes com artrite inflamatória e  outras doenças inflamatórias sistêmicas;
  2. Pacientes que recebem medicamentos imunossupressores, incluindo corticosteróides;
  3. Pacientes com múltiplas doenças crônicas, como asma, diabetes, doença cardíaca ou câncer, que podem sofrer muito com as complicações da gripe. São incluídos neste grupo também pacientes com osteoartrite.

Influência das crenças e mitos na saúde

A crença é uma forma de conhecimento popular revestida de convicção, confiança e alto grau de certeza, a respeito de um determinado fenômeno ou objeto. “As crenças em saúde, apesar de muitas vezes não corresponderem ao conhecimento científico, não necessitam de comprovação para serem aceitas e incorporadas ao repertório popular. Essa integração ao contexto cultural ocorre em conseqüência da repetição do que se acredita verdadeiro nos contatos individuais e informais dos grupos sociais, ao longo do tempo”, explica Sérgio Lanzotti.
Segundo o diretor do Iredo, concepções errôneas e mitos populares relacionados à saúde estão presentes nos mais variados extratos sociais. Em mais de duas décadas exercendo a medicina, o reumatologista revela que já teve que desmistificar muitas falsas crenças. “A consulta médica, às vezes, se transforma numa aula, pois, em alguns casos, o paciente necessita mais de informação correta do que de medicamentos. O estudo sueco tem implicações práticas sobre as recomendações a respeito de vacinas que os médicos devem repassar à população em geral, e em especial, aos pacientes com risco de desenvolver artrite reumatóide, como filhos de pais com a doença”, diz o médico.

“E como prevenção nunca é demais, sempre reforço ao final de cada consulta que a campanha de vacinação contra a gripe vai até o dia 13 de maio. E que todos os pacientes reumáticos podem tomá-la, com segurança”, afirma Sérgio Lanzotti.

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