Saiba detectar precocemente casos de câncer de pele






Autoexame de pele é a arma para detectar precocemente casos de câncer e aumentar as chances de cura

A qualquer alteração em pintas, feridas que não cicatrizam, nódulos, pontos doloridos que não saram, deve-se procurar um dermatologista. O autoexame de pele possibilita a detecção precoce do câncer, que se descoberto em fases iniciais tem maior chance de cura

Fatos relevantes:

- O carcinoma basocelular acomete homens e mulheres praticamente na mesma proporção e é muito raro em pessoas com pele negra. Já o carcinoma espinocelular, por sua vez, é mais freqüente após a sexta década - mais tardio do que o basocelular.

- O melanoma varia sua incidência de acordo com seus subtipos. O melanoma superficial expansivo (forma mais comum) tem seu pico de incidência por vota dos 45 a 55 anos. Já o lentigo maligno melanoma, tem seu pico mais tardiamente, por volta da sétima década de vida.

- Segundo o Instituto Nacional do Câncer - INCA, estima-se a ocorrência de 5.930 casos de melanoma cutâneo em 2010, no Brasil. Em 2008, foram 1.303 mortes por melanoma. Nos países desenvolvidos, a sobrevida média estimada em cinco anos é de 73%. Já em países em desenvolvimento, chega a apenas 56%.

De acordo com os dados do Censo 2010, divulgados no dia 29/11 pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil tem 23,7 mil habitantes com mais de 100 anos. Os dados confirmam a tendência de envelhecimento da população brasileira, fruto da redução da taxa de fecundidade e do aumento da expectativa de vida. Esse fenômeno é observado em várias partes do mundo e tem consequências para a saúde da população. O fato é que o aumento da longevidade favorece a maior incidência e prevalência das doenças crônico-degenerativas, dentre elas, o câncer.

Como é verão, época de maior incidência de radiação solar, inclusive em função da destruição da camada de ozônio, traz preocupações com os tumores malignos de pele. De acordo com a Dra. Patrícia Fagundes, médica dermatologista do Serviço de Dermatologia e Tumores Cutâneos do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, a despeito de toda orientação divulgada nos últimos anos para o uso de filtros solares e da realização das campanhas de prevenção ao câncer de pele, espera-se um aumento na incidência deste tipo de câncer nas próximas décadas.

"A principal razão para isso é que a ocorrência da patologia é maior nas faixas etárias mais avançadas, justamente a fatia da população brasileira que aumentará nas próximas décadas", explica. Outro fator é o aumento na detecção deste tipo de tumor estimulado pelo aumento da informação da população e melhor acesso ao sistema de saúde.

Já que informação é condição básica para a prevenção e a detecção precoce é a chave para a cura do câncer de pele, é bom saber que autoexame não deve ser utilizado apenas quando se fala de câncer de mama, por exemplo. De acordo com o Dr. Renato Santos de Oliveira Filho, médico cirurgião oncológico do Serviço de Dermatologia e Tumores Cutâneos do Hospital 9 de Julho, o autoexame da pele é totalmente factível. Com a ajuda de espelhos, toda a nossa pele pode ser inspecionada por nós mesmos. Assim, o aparecimento de lesões novas ou modificações em lesões pré-existentes precisam ser valorizados. "Manchas ou lesões que apresentem alteração na cor, forma ou tamanho, sangramento, dificuldade na cicatrização, dor local, assim como feridas que não cicatrizam, tudo deve ser relatado ao médico."

Nem toda pinta é câncer, mas preste atenção nela! - Os tipos de câncer de pele podem apresentar-se de várias formas. De uma maneira geral, o carcinoma basocelular, que representa 70% dos casos de câncer de pele no Brasil, tende a aparecer na pele inicialmente como uma lesão elevada, pequena, arredondada, da cor da pele ou róseo-avermelhada, contendo alguns vasinhos na sua superfície. Pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas tende a surgir em áreas de exposição ao sol. Com o passar do tempo, pode aumentar de tamanho e ulcerar. Já o carcinoma espinocelular, responsável por 20% dos tumores de pele do país, em geral, já se apresenta como uma lesão mais espessa e verrucosa. Pode ulcerar também e, eventualmente, invadir tecidos vizinhos ou originar metástases. "Tanto o carcinoma baso quanto o espinocelular são relatados na consulta médica como 'uma feridinha que nunca cicatriza', afirma a Dra. Patrícia.

O melanoma pode surgir sobre a pele sã ou advir de lesões pré-existentes. Inicialmente, se apresenta como uma pequena mancha escura, com crescimento lento, porém indiscutível, às vezes, apenas em superfície. Entretanto, outras vezes, também em profundidade, originando uma pápula e, depois, um nódulo. "É importante lembrar sempre que há uma variante do melanoma conhecida como melanoma amelanótico que, por não produzir melanina, não tem coloração escura. Por isso, mais uma vez, a importância em se apresentar ao dermatologista qualquer lesão ou sinal que apareça ou sofra mudança em seu aspecto", comenta.

A associação destes dois fatores: pele clara e altas doses de radiação solar são determinantes na incidência de câncer de pele. A pele mais vulnerável é aquela que nunca se pigmenta, isto é, que apenas se torna eritematosa (de coloração avermelhada, característica de inflamação) após a exposição solar. Lesões pré-cancerosas e os próprios tumores de pele localizam-se preferencialmente nas áreas expostas ao sol: face, pescoço, mãos e braços (cerca de 90% dos cânceres cutâneos têm localização em áreas foto-expostas).

E como recebemos 80% da exposição solar até os 18 anos, é muito importante que pais e responsáveis se conscientizem sobre a forma mais adequada de proteger seus filhos para evitar problemas no futuro. Para a Dra. Patrícia, a proteção ideal é aquela que garante uma pele livre dos efeitos nocivos da radiação solar ionizante, sejam eles visíveis a olho nu (queimadura solar), ou em nível celular, cujos danos só serão perceptíveis muitos anos depois (câncer de pele, foto-envelhecimento etc.).

Nesse sentido, a proteção ideal começa com evitar a exposição solar nos horários inadequados (entre 10h e 16 horas), passa pela escolha de um bom filtro solar e sua aplicação correta, e vai até, dependendo do caso, o uso de roupas especiais cujo tecido recebeu tratamento fotoprotetor. "Os pais devem se lembrar que as crianças menores de seis meses só devem ser expostas ao sol por poucos minutos e bem cedo na parte da manhã, com a finalidade de estimular a síntese de vitamina D. O uso de filtros solares para crianças nesta faixa etária, em função da imaturidade do sistema imunológico e da própria pele, deve ser evitado, salvo caos específicos e sob orientação médica", recomenda.

Para crianças acima de seis meses, os pais devem se lembrar de evitar expô-las ao sol nos horários de pico. Devem aplicar o filtro solar em quantidades adequadas e reaplicá-lo a cada duas horas e usar roupas cujo tecido tenha sido tratado com substâncias fotoprotetoras. "Finalmente, é preciso lembrar que as crianças seguem o modelo apresentado pelos pais, por isso, desde cedo, é importante dar o exemplo nos cuidados da pele", afirma.

Exames e tratamentos: o que há de mais moderno

Diante da suspeita clínica do câncer de pele, a confirmação do diagnóstico se dá pelo exame anatomopatológico realizado por médico patologista em material de biópsia. Para o melanoma, a biópsia é a excisional (retirada de toda a lesão), com margem de pele normal com cerca de 1 ou 2mm, incluindo tecido normal (adiposo) na profundidade.

De acordo com o Dr. Renato, há ainda a dermatoscopia, que é o exame das lesões de pele com auxílio de um dermatoscópio, aparelho que possui lente de aumento, permitindo a identificação de estruturas não visualizadas a olho nu, como a rede pigmentar, estrias radiais e pseudópodes. "Em um estádio inicial, pode ser difícil proceder ao diagnóstico clínico diferencial entre melanoma e os outros tipos de lesões pigmentadas cutâneas", explica o médico. Nesse contexto, a dermatoscopia vem demonstrando grande valor como recurso auxiliar no diagnóstico de lesões pigmentadas cutâneas. Tal importância deve-se, sobretudo, à melhora da acurácia diagnóstica, permitindo chances corretas de cura.

A principal modalidade de tratamento dos cânceres de pele é a cirurgia. A extensão da cirurgia, tanto na lateralidade quanto na profundidade, depende do tipo, do estadiamento (estágio) e da localização do tumor de pele. Em situações especiais de carcinoma basocelular, como múltiplas lesões, de acometimento superficial, em pacientes idosos, a terapia fotodinâmica pode ser utilizada. "A quimioterapia e a radioterapia são tratamentos de exceção para o câncer de pele, na maioria das vezes, utilizadas como tratamento paliativo", afirma o Dr. Renato. Nesse sentido, outras modalidades são utilizadas como a eletrocoagulação, a criocirurgia (nitrogênio líquido) e uso quimioterápico tópico (5-fluorouracil).

Novidades - Segundo o Dr. Renato, equipamentos utilizando microscopia confocal com raios laser prometem realizar diagnósticos de câncer de pele em estádios iniciais. O equipamento produz imagens que mostram alterações nas células e nos seus núcleos com precisão comparável à do exame histopatológico, porém não dispensam a biópsia com estudo anatomopatológico. "A nova tecnologia pode evitar biópsias desnecessárias. Como é não invasivo, o exame pode ser repetido várias vezes, acompanhando a evolução da doença", afirma.

5 passos para se proteger contra o câncer de pele

- minimize sua exposição ao sol entre 10h e 16 horas;
- use roupas e chapéu para proteger sua pele do sol;
- não utilize câmaras de UV para se bronzear;
- proteja as crianças. Não use protetor solar em crianças abaixo de seis meses. Elas devem ter exposição solar limitada;
- faça autoexame regular da pele, usando espelhos e procure um médico caso detecte feridas que não cicatrizem, mancha escura ou nódulo na pele duradouros, alterações em pintas já existentes (aumento, modificação da cor, prurido ou sangramento).






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