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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dor é apenas um dos sintomas da enxaqueca




Tontura e vertigem frequentes também podem ser sinais da doença

            Reconhecida popularmente pela dor intensa, pulsante e lateral, a enxaqueca crônica tem outros sintomas desconhecidos da maioria da população e que podem retardar o diagnóstico desta doença que compromete bastante a qualidade de vida dos pacientes. Sintomas como vertigem, tontura, enjoo ao andar de carro ou ao sentir cheiro forte e até mesmo uma dor abdominal fazem parte da lista de sinais que dificilmente ligamos à enxaqueca.

                Como existem mais de 150 tipos diferentes de dor de cabeça, no Dia Nacional do Combate à Cefaleia, ainda é frequente encontrar pacientes que pouco conhecem sobre o distúrbio ou não procuram o médico especialista por confundir a enxaqueca crônica com uma dor de cabeça mais comum.

             Mas, apesar do conhecimento ainda ser baixo, o número de pessoas acometidas está no sentido contrário. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a enxaqueca é uma doença neurológica que afeta 15% da população no Brasil, o equivalente a 30 milhões de pessoas, sendo que a prevalência mundial no sexo feminino é de 20%, número três vezes maior do que nos homens. Já a enxaqueca crônica, um tipo de disfunção ainda mais intenso e que tem como principal característica a dor por pelo menos 15 dias a cada mês, com duração de mais de quatro horas por dia, por mais de três meses, já tinge cerca de 2% da população mundial.

       Apesar de ser uma doença grave e sem cura, a enxaqueca crônica pode ser controlada por meio de cuidados e tratamentos. Para que a disfunção possa ser diagnosticada corretamente, o médico neurologista ou especialista em dor precisa ter detalhes sobre as crises, por isso, um diário é sempre um suporte útil. Nele, o paciente anota por cerca de 30 dias informações que considerem:

- Horário de início da dor
- Duração
- Intensidade
- Localização
- Fator desencadeante da crise naquele dia
- Frequência
- Relação das crises com a luminosidade, sons, odores e clima

        Como o estilo de vida também é um ponto muito importante para a melhoria da cronicidade do quadro, informações sobre hábitos alimentares, atividade física, sono e medicamentos utilizados também devem fazer parte das anotações. Para o Dr. Leandro Calia, neurologista do hospital Albert Einstein, esse é um dos pontos mais complicados para adesão a qualquer tipo de tratamento de enxaqueca. "As pessoas não gostam de mudar a maneira como vivem, principalmente se isso envolver a forma como se alimentam ou a frequência com que se exercitam, mas para que os resultados sejam bons, as orientações de bons hábitos de alimentação devem ser seguidos", comenta o médico.

         A outra parte da terapia envolve medicamentos e, em alguns casos, aplicações de toxina botulínica A, que reduz de maneira significativa diversos parâmetros relacionados à dor, como número de dias, de crises de dor, intensidade e duração, proporcionando assim uma boa melhoria na qualidade de vida do paciente.

         A toxina botulínica A bloqueia a liberação de neurotransmissores associados à origem da dor. A ação inibe a sensibilização das fibras nervosas que conduzem à dor, o que diminui os sinais para o sistema nervoso central, reduzindo assim a frequência e intensidade das crises. "Os efeitos de BOTOX® no tratamento de migrânea crônica duram de 3 a 6 meses e, após este período, é preciso repetir o procedimento. Apesar de não curar, a redução da dor de cabeça intensa é um grande alívio para os pacientes, pois possibilita a recuperação da qualidade de vida e o prazer de vivenciar as atividades do dia a dia", complementa o médico.

BOTOX® e a enxaqueca crônica  
Em 2011, após os resultados do maior programa clínico já realizado sobre a enxaqueca crônica - o PREEMPT (Phase III Research Evaluating Migraine Prophylaxis Therapy), a redução foi em torno de 50% do número de dias e horas de dor de cabeça quando utilizada a toxina botulínica A para estes casos, na dose recomendada e aplicada entre 31 e 39 pontos da cabeça e pescoço. A ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, principal órgão regulador no país, aprovou o tratamento para o uso da marca BOTOX® no Brasil e, desde então, diversos pacientes enxaquecosos estão se beneficiando da nova terapia. Os especialistas têm trabalhado cada vez mais para que o acesso ao diagnóstico adequado seja feito de forma cada vez mais ampla e consequentemente com melhores resultados.

Conheça alguns fatores de desencadeamento da dor - estímulos capazes de determinar o surgimento de uma crise de enxaqueca nos indivíduos predispostos

Sono -     Alteração na rotina do sono (prolongado ou reduzido).
Alimentos e bebidas -     Alto consumo de bebidas com cafeína, como chá e café, ou a privação da substância para quem consome grandes quantidades durante a semana e não repete a ingestão.
-     Consumo de determinados alimentos e bebidas (variam de pessoa para pessoa).
-     Jejum prolongado.
Hormônios -     Alterações hormonais, como no período menstrual.
Estresse -     Estresse causado por diferentes motivos.
Ambiente externo -     Exposição a ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas.
Pressão atmosférica -     Mudanças súbitas de pressão atmosféricas, como as provocadas por voos comerciais.
  
Sobre BOTOX® (toxina botulínica A)
A aplicação do BOTOX® ficou famosa no mundo todo pela indicação cosmética, no tratamento das rugas de expressão. No entanto, a substância foi descoberta para o tratamento terapêutico e aprovada em 1989 (pelo FDA, nos Estados Unidos), como uma alternativa para tratar o estrabismo.

No Brasil, a primeira toxina botulínica a ser aprovada foi o BOTOX®,marca comercial da Allergan, em 1992, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), para fins terapêuticos. Hoje, BOTOX® possui nove indicações aprovadas no país: distonia, estrabismo, blefaroespasmo, espasmo hemifacial, linhas faciais hipercinéticas, espasticidade, hiperidrose, bexiga hiperativa e migrânea crônica, popularmente conhecida como enxaqueca crônica.


Fontes
[i] Sociedade Brasileira de Cefaleia. Disponível em http://www.sbcefaleia.com/ Acessado em maio de 2015
Buse DC, Manack AN, Fanning KM, et al. Chronic migraine prevalence, disability, and sociodemographic factors: results from the American Migraine Prevalence and Prevention Study. Headache. 2012;52(10):1456-1470.

Headache Classification Committee of the International Headache Society (HIS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (beta version). Cephalalgia. 2013;33(9):629-808.


World Health Organization, Lifting the burden. Atlas of headache disorders and resources in the world 2011. Disponível em: http://www.who.int/mental_health/management/atlas_headache_disorders/en . Acessado em maio de 2015

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