PERIGOS DO SOL PARA A PELE




Dr. Carlos A R Freire

        Mais uma vez estamos em pleno verão e novamente discutem-se os problemas de saúde relacionados com as altas temperaturas, os cuidados com a hidratação, com a contaminação dos alimentos, os exercícios excessivos e feitos sem critério algum, as bebidas alcoólicas, o risco no trânsito, a promiscuidade sexual e por último, mas não esgotando esta lista, a exposição excessiva aos raios solares.

        É sabido que a exposição excessiva aos raios solares, principalmente pelas pessoas com pele clara (descendentes de europeus, com olhos e cabelos claros), predispõe ao surgimento de alterações cutâneas tais como rugas, ceratoses (as conhecidas “casquinhas”), envelhecimento precoce da pele e o câncer. Quanto mais precoce esta exposição, principalmente quando ocorre desde a infância, maior é o risco do câncer aparecer, geralmente numa idade mais tardia. Episódios frequentes de queimaduras solares, na infância, são particularmente nocivos, predispondo a um maior risco, na velhice, do aparecimento de câncer na pele.

        Os raios solares atingem sua maior intensidade nas horas próximas ao meio dia. O risco é menor nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, quando a luz solar nos atinge obliquamente. A radiação ultravioleta, presente nos raios solares, é a principal responsável pelas suas ações nocivas sobre a pele, devido à sua capacidade de penetrar até as camadas mais profundas de nossa cútis. Os raios ultravioleta podem danificar nossa pele mesmo quando não percebemos sua ação, como por exemplo quando está ventando. 

O uso de protetores solares diminui relativamente sua ação. Os protetores solares trazem em seus rótulos uma indicação da intensidade de sua ação, é o chamado ‘fator de proteção solar” (FPS). Um protetor solar com FPS de 30, por exemplo, significa que uma pessoa com pele normal, que ficaria com a pele avermelhada após 1 minuto de exposição à luz solar, demorará 30 minutos para ter a mesma alteração cutânea se estiver usando tal filtro solar. 

        Quanto ao câncer de pele, este aparece geralmente em pessoas idosas, com mais de 60 anos, existindo vários tipos com gravidade variável. Os tipos mais comuns são o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. O carcinoma basocelular (CBC) é o menos agressivo dos 3, geralmente se manifesta como um nódulo arredondado, saliente, com bordas elevadas e centro deprimido, podendo ou não apresentar uma úlcera no seu centro, às vezes sangrando. Sua tendência é ir aumentando lenta e progressivamente, raramente apresentando espalhamento para outros locais do corpo. O carcinoma espinocelular já é mais agressivo e quando não tratado acaba por se espalhar pelo corpo. Manifesta-se geralmente como uma lesão cutânea de bordos irregulares, com crostas e áreas ulceradas e sangrantes. É a pequena “feridinha” na pele de áreas mais expostas à luz solar, que forma uma “casquinha” e depois parece cicatrizar, mas que reaparece e nunca sara, tendendo depois de um certo tempo a aumentar.

        O melanoma, na sua forma mais comum, é o câncer de cor escura, preto, devido à presença de um pigmento chamado melanina. O melanoma é, dos 3 tipos de câncer, o mais agressivo deles, podendo apresentar metástases precocemente.

        Diante de uma suspeita de câncer de pele, o correto é procurar um dermatologista rapidamente. O tratamento ideal é a retirada cirúrgica do tumor, com o cuidado de manter uma faixa de pele normal entre o nódulo e a incisão cirúrgica. Tal cuidado, geralmente, leva a uma taxa de cura de 100%. Os tumores de pele são o câncer mais frequente no Brasil, mas só raramente provocam o óbito – têm uma alta taxa de cura devido ao diagnóstico precoce e à facilidade de tratamento cirúrgico. Por esse motivo, tomar cuidado, ficar atento a qualquer anormalidade e proteção sempre, são as recomendações para aproveitar bem o sol e o verão.


Dr. Carlos Alberto Reis Freire é oncologista do Hospital San Paolo -  Centro hospitalar localizado na zona norte de São Paulo.



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