Prevenção do câncer de mama começa na alimentação



Dentre os cânceres, o de mama é o principal vilão das mulheres. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que ele é responsável por 22% dos casos na população brasileira. No Brasil, o último levantamento realizado em 2008 aponta que mais de 11 mil mulheres sucumbiram à doença. A prevenção, de acordo com o mastologista do departamento de Mastologia do Hospital Amaral Carvalho, João Ricardo Auler Paloschi, começa pela boca e se constitui, principalmente, em cultivar bons há bitos de saúde.

Apesar de só perder para o câncer de pele em incidência, a neoplasia nas mamas é a que ainda mais mata. Para 2010, a projeção do Inca é de quase 50 mil novos casos em todo país. Além da alta frequência, o câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres: é capaz de deixar marca não só no corpo, mas na mente. Os efeitos psicológicos podem afetar percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal, principalmente quando o diagnóstico se faz de forma tardia, seja pela falta da prevenção ou pelo medo, que muitas vezes faz a mulher esconder alguma anormalidade perceptível até não suportar mais. Esses problemas podem ser mínimos se a mulher se valorizar e fizer seus exames de rotina, o que pode permitir o diagnóstico em fase simples para se tratar e se alcançar a cura.

Relativamente raro antes dos 35 anos de idade, o câncer de mama incide sobre pessoas acima desta faixa de forma que a idade maior represente maiores probabilidades de se desenvolver a doença. Entre outros fatores de risco está o histórico familiar, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) forem acometidas antes dos 50 anos de idade. Entretanto, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a menos de 10% do total de casos de cânc eres de mama. A menarca precoce (idade da primeira menstruação), a menopausa tardia (após os 50 anos de idade), a ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos), constituem também fatores de risco para o câncer de mama.

Sintomas
Para o diagnóstico do câncer de mama, não se pode esperar pela ocorrência de sintomas para buscar auxílio médico. A prevenção deve ser realizada para que seja possível surpreender algo ainda impalpável nas mamas ou muito pequeno. Quanto menor a doença, melhores as condições de tratamento e cura. Nódulo, acompanhado ou não de dor mamária, é um dos sintomas.

Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila ou ferimentos mamilares que não cicatrizam. A consulta com um mastologista deve ser sempre realizada quando for percebido algo que traga dúvida sobre a saúde das mamas, independente do que seja.

Prevenção

A mamografia é hoje e ainda será por muitos e muitos anos o melhor método de imagem para avaliar a saúde mamária, sendo considerada o "Padrão Ouro" para o fim a que se destina. Há ainda vários outros métodos complementares, como a ultrassonografia mamária, a termografia, a ressonância nuclear magnética e a tomossíntese, entre outros.

"Mas não podemos esquecer, entretanto, que os exames de imagem sozinhos não oferecem um diagnóstico e sim uma impressão diagnóstica, que dever ser confrontada com informações clínicas e de exame físico entre outras. Os estudos de imagem não são perfeitos e devem ser interpretados pelo médico-assistente. É possível ter exames de imagem normais ou com aspecto benigno e estarmos diante de um caso de câncer de mama, assim como termos imagens suspeitas e a investigação descartar essa doença", diz dr. João Ricardo.

O auto-exame também pode ajudar a perceber se existe alguma alteração (veja quadro). No entanto, o diagnóstico mais preciso e precoce só se dá com mamografia.

O poder do verde

Alguns estudos apontam várias formas de prevenir-se contra a doença. Ainda que sempre difundida (e nem sempre seguida), a mais famosa delas é manter uma vida regrada e saudável. Garantir a qualidade de vida pode ajudar a prevenir, além de inúmeras doenças, o câncer de mama. Dr. João Ricardo afirma que é possível agir a fim de reduzir os fatores de risco mutáveis. "Dietas saudáveis, ricas em frutas, legumes e verduras e pobres em gorduras animais parecem proteger em algum grau do risco de desenvolver o câncer de mama."

Ainda segundo o mastologista, atividade física regular também traria seus benefícios, assim como a redução da ingestão de álcool. "Livrar-se do tabagismo, evitar e reduzir a obesidade também são benefícios claros quanto à redução dos riscos. Não podemos esquecer ainda que a amamentação, além de trazer benefícios enormes para a criança, pode também reduzir os riscos para a mãe que amamenta. Para encerrar, o uso de anticoncepcional e a terapia de reposição hormonal devem ser realizadas sempre com o acompanhamento médico rigoroso".

A auto-medicação hormonal deve mesmo receber atenção redobrada. Segundo Dr. João Ricardo, a terapia de reposição traria consequências para o aumento do risco do câncer de mama, não sendo motivos para não usá-la quando necessária. Porém, a indicação deve seguir critérios precisos e controles rigorosos com o médico que o indicou, podendo também ser acompanhada pelo mastologista, o que pode trazer mais tranquilidade e conforto à paciente e ao médico assistente.

Homens têm câncer de mama?

Os homens também podem ter câncer de mama e todas as patologias mamárias assim como as das mulheres. Existem basicamente dois motivos que determinam que os riscos sejam menores nos homens. "O primeiro deles refere-se à quantidade de tecido mamário nos homens ser mínimo, quando comparado a quantidade de tecido mamário na mulher, já que ele é a sede do início do problema. O segundo diz respeito à quantidade de hormônios femininos circulantes na corrente sanguínea do homem, também infinitamente menor quando comparado à mulher. Sabemos que a atividade hormonal feminina é um fator estimulante. Assim sendo, estatisticamente, identificamos aproximadamente um caso de câncer em homem para cada 100 casos em mulheres."


A vida após o câncer

Detectar o câncer na fase inicial pode significar 100% chances de cura, com tratamentos muito simples, muitas vezes sem quimio e radioterapia, por exemplo. E ter as chances de ter uma vida normal após esse tipo de doença são totais. Para o médico, pode ser uma oportunidade para repensar valores, condutas, objetivos, relacionamentos. "Sou testemunha de muitas e muitas pacientes que, após terem o diagnóstico de câncer de mama e seu tratamento encerrado com sucesso, passaram a viver com muito mais alegria, intensidade e verdade, sabendo a importância real que tem a vida e que viver a felicidade pode se r muito mais simples do que se imaginava antes da doença", diz o médico.

Dr. João Ricardo vai ainda mais longe. "Já tive pacientes que agradeceram a Deus o câncer ter surgido, pois possibilitou rupturas importantes e crescimentos imensos, que, segundo relatos dessas pacientes, superaram em muito as dificuldades do diagnóstico e do tratamento. Obviamente que vamos poder esperar esses resultados em pacientes que conseguirem diagnósticos precoces, por motivos já esclarecidos e evidentes, afirma.

Então, lembre-se: pacientes que tiverem um diagnóstico tardio tem reduzidas as possibilidades de cura. A conscientização sobre a importância da prevenção, do auto-exame, das mamografias periódicas a partir dos 35-40 anos nas mulheres (mesmo sem sintomas) é a chave para alcançar cada vez mais diagnósticos precoces e todos os seus benefícios possíveis. Quanto mais cedo a doença for descoberta, mais chance de não sofrer mutilações físicas e emocionais. "Só depende de nós transformarmos o câncer de mama numa doença sem mitos e que pode sim ser vencida. Basta ;que valorizemos a nossa própria vida, a nossa saúde", conclui o mastologista.

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